Olá, meus caros leitores
imaginários!
Cá estou eu pra compartilhar
com vocês um trabalho que fiz junto com um amigo de sala, quando estávamos no
terceiro período (2014.2) da faculdade.
Ontem à noite eu tava revendo
alguns arquivos e encontrei esse texto perdido entre eles, então resolvi postar aqui porque gostei muito de ter o feito. A disciplina era Teoria e
Estética da Imagem, o professor pediu para que escolhêssemos uma imagem
e fizéssemos uma interpretação sobre ela. E como sou uma admiradora da
arte urbana, não pensei duas vezes, e escolhi uma das grandes obras de um
artista maravilhoso e misterioso.
O pseudônimo ''Banksy''
corresponde a um artista inglês. Diferentes dele, suas obras não se reservam ao
anonimato, dotadas de imensa criatividade e uma verve satírica social
estão expostas em ruas e metrópoles pelo mundo. Elaboradas através da
técnica: estêncil, uma forma de ilustrar suas expressões em diversas
superfícies. Este artista é responsável, por uma das maiores intervenções
urbanas do século XXI.
A obra que gostaria de destacar, elegida com dificuldade diante do acervo excepcional do artista. Trata-se de uma ilustração utilizando a técnica de estêncil e grafite, a obra compõe-se na ''Faixa de Gazá'' ilustrando uma espécie de fenda no muro da Cisjordânia. Através desta fenda, é possível enxergar um cenário tropical, além de mais duas crianças também ilustradas no muro segurando baldes e pincéis, e parecem ser os responsáveis pela fenda do paraíso. Oceano e vegetação litorânea estampam um contexto paradisíaco, que ao mesmo tempo, abriga certa dicotomia diante da hostilidade incessante, que por infelicidade dos residentes desta região - conflito e a sensação de guerra são uma característica cotidiana. A obra logo permeia este cenário conflituoso com uma miragem de esperança, possibilidades de um ideal além daquela realidade.
O cognitivo de refúgio se faz
presente na mente de pessoas que convivem ao lado do medo, e ao mesmo tempo
coragem, pois o medo só pode ser vencido pelo seu enfrentamento. “Não existe
coragem em apanhar um jornal no jardim de casa, mas se o jardim estiver num
país que está em guerra e que está sendo continuamente bombardeado, então a
simples tarefa de recolher o jornal – se é que ele será entregue – exigirá
coragem”. Então se pararmos para imaginar qual terá sido a sensação das
pessoas deste lugar ao se depararem com a imagem. Torna-se difícil arriscar,
mas a contemplação implica numa abordagem interpretativa da própria existência.
Pessoas em tarefas cotidianas deve ter sido espantoso e impreterível, não
projetar aquele ideal paradisíaco mentalmente.
As crianças presentes na obra imaginam-se terem recém praticado uma simples atividade infantil, a liberdade de pintar e criar. Por outro lado, procurando tomar a mais plena ciência de seu próprio processo criativo, o artista faz um mergulho profundo em sua alma e retira de lá as informações mais valiosas possíveis para o seu público bastante atípico daquela região, não é como Nova York ou Londres, onde a obra não carregaria consigo a polaridade entre o terrível e o belo.
Tratando de temporalidade,
quando tratamos ao mesmo tempo de intervenções urbanas, a arte explicitada na
rua. No caso em questão o próprio Banksy, e como exemplo: os seus grafites
combinados à técnica de estêncil. Essas técnicas mantêm a autenticidade da obra,
sobretudo sofrem certa ameaça pela ilegalidade da superfície que compõem. A
própria tinta munida por alguém que negue aquilo por manifestação de arte, e
sim de vandalismo poderá apagar por completo sua exposição. E outra
ameaça, o inimigo de tudo que pretende viver, o tempo. Porém a modernidade, e a
questão da originalidade da arte e de seu lugar de expressão, trazem consigo a
desvalorização do Walter Benjamim chamava de hic et nunc ( o
aqui e agora) que indica a perda da aura da obra de arte. Não é necessário
mais deslocar-se pra outro país para ver uma pintura de Picasso: a internet
permite que o quadro chegue até nós. A obra fragmenta-se em sua reprodução.
Para Benjamim esta reprodução
subtrai da riqueza da obra o espetáculo essencial de trazer novas ideias,
instigar, incomodar, levantar questionamentos. Somos pouco exigentes, bastando
apenas uma boa fotografia em seus pixels mantidos para nos aproximarmos, o
próximo nos contenta e permite que o todo da obra seja revelado. A
concepção de impressão desta ideia de impermanência que a modernidade nos
causa, torna-se ao mesmo tempo uma impressão virtual, um pressuposto da real
contemplação, porém torna a obra onipresente, sendo possível acessá-la de
qualquer lugar, logo a obra esta em qualquer lugar, virtualmente falando.
Nesta obra há limitações de caráter estético, sobretudo elimina-se quando antagoniza dogmas religiosos e morais. .A obra dita por si só, o seu processo de composição social e crítica, mas se julgarmos com acuidade, torna-se fácil perceber uma grandiosa metáfora ideológica. Sobretudo o ''pseudoparaíso'' num país de predominação religiosa islâmica e judaica, conservadores de outra amplitude artística poderiam interpretar como algo pós-vida. A ignorância de qualquer consideração moral, relativamente aos conflitos étnicos em torno desta terra, nunca deixou de ser admissível.
Nesta obra há limitações de caráter estético, sobretudo elimina-se quando antagoniza dogmas religiosos e morais. .A obra dita por si só, o seu processo de composição social e crítica, mas se julgarmos com acuidade, torna-se fácil perceber uma grandiosa metáfora ideológica. Sobretudo o ''pseudoparaíso'' num país de predominação religiosa islâmica e judaica, conservadores de outra amplitude artística poderiam interpretar como algo pós-vida. A ignorância de qualquer consideração moral, relativamente aos conflitos étnicos em torno desta terra, nunca deixou de ser admissível.
É necessário que uma minoria
bastante sensível possa fazer juízo, através desta moralidade de vigilância e
consciência e inconsciência coletiva de repressão. Seria necessário que se
dispusesse de alternativas entre as quais escolherem julgar. Paradoxalmente
dispõem informalmente de liberdade de escolher, pois o condicionamento que
encontram no momento faz da escolha um ato sem liberdade.
Em meio as contradições naturais da obra, não nega-se que é convidativa a uma meditação sobre o real. Já que constrói uma relação entre o aqui e o além do muro.
Em meio as contradições naturais da obra, não nega-se que é convidativa a uma meditação sobre o real. Já que constrói uma relação entre o aqui e o além do muro.

Há uma harmonia intrínseca entre os personagens e a paisagem que possibilita esta navegação pela quietude mais intensa. O prazer estético que este mestre consegue produzir revela um artista de grande alcance e completude técnica.
ResponderExcluirTambém me orgulho deste trabalho - conseguimos nota máxima, e o professor ainda destacou o trabalho na sala.
Bons tempos
Jeffson Leocadio