quarta-feira, 30 de março de 2016

Bansky e a fenda do paraíso

Olá, meus caros leitores imaginários!
Cá estou eu pra compartilhar com vocês um trabalho que fiz junto com um amigo de sala, quando estávamos no terceiro período (2014.2) da faculdade. 
Ontem à noite eu tava revendo alguns arquivos e encontrei esse texto perdido entre eles, então resolvi postar aqui porque gostei muito de ter o feito. A disciplina era Teoria e Estética da Imagem, o professor pediu para que escolhêssemos uma imagem e fizéssemos uma interpretação sobre ela. E como sou uma admiradora da arte urbana, não pensei duas vezes, e escolhi uma das grandes obras de um artista maravilhoso e misterioso.  



 O pseudônimo ''Banksy'' corresponde a um artista inglês. Diferentes dele, suas obras não se reservam ao anonimato, dotadas de imensa criatividade e uma verve satírica social estão expostas em ruas e metrópoles pelo mundo. Elaboradas através da técnica: estêncil, uma forma de ilustrar suas expressões em diversas superfícies. Este artista é responsável, por uma das maiores intervenções urbanas do século XXI.

A obra que gostaria de destacar, elegida com dificuldade diante do acervo excepcional do artista. Trata-se de uma ilustração utilizando a técnica de estêncil e grafite, a obra compõe-se na ''Faixa de Gazá'' ilustrando uma espécie de fenda no muro da Cisjordânia. Através desta fenda, é possível enxergar um cenário tropical, além de mais duas crianças também ilustradas no muro segurando baldes e pincéis, e parecem ser os responsáveis pela fenda do paraíso. Oceano e vegetação litorânea estampam um contexto paradisíaco, que ao mesmo tempo, abriga certa dicotomia diante da hostilidade incessante, que por infelicidade dos residentes desta região - conflito e a sensação de guerra são uma característica cotidiana. A obra logo permeia este cenário conflituoso com uma miragem de esperança, possibilidades de um ideal além daquela realidade.

O cognitivo de refúgio se faz presente na mente de pessoas que convivem ao lado do medo, e ao mesmo tempo coragem, pois o medo só pode ser vencido pelo seu enfrentamento. “Não existe coragem em apanhar um jornal no jardim de casa, mas se o jardim estiver num país que está em guerra e que está sendo continuamente bombardeado, então a simples tarefa de recolher o jornal – se é que ele será entregue – exigirá coragem”. Então se pararmos para imaginar qual terá sido a sensação das pessoas deste lugar ao se depararem com a imagem. Torna-se difícil arriscar, mas a contemplação implica numa abordagem interpretativa da própria existência. Pessoas em tarefas cotidianas deve ter sido espantoso e impreterível, não projetar aquele ideal paradisíaco mentalmente.

As crianças presentes na obra imaginam-se terem recém praticado uma simples atividade infantil, a liberdade de pintar e criar. Por outro lado, procurando tomar a mais plena ciência de seu próprio processo criativo, o artista faz um mergulho profundo em sua alma e retira de lá as informações mais valiosas possíveis para o seu público bastante atípico daquela região, não é como Nova York ou Londres, onde a obra não carregaria consigo a polaridade entre o terrível e o belo.

Tratando de temporalidade, quando tratamos ao mesmo tempo de intervenções urbanas, a arte explicitada na rua. No caso em questão o próprio Banksy, e como exemplo: os seus grafites combinados à técnica de estêncil. Essas técnicas mantêm a autenticidade da obra, sobretudo sofrem certa ameaça pela ilegalidade da superfície que compõem. A própria tinta munida por alguém que negue aquilo por manifestação de arte, e sim de vandalismo poderá apagar por completo sua exposição. E outra ameaça, o inimigo de tudo que pretende viver, o tempo. Porém a modernidade, e a questão da originalidade da arte e de seu lugar de expressão, trazem consigo a desvalorização do Walter Benjamim chamava de hic et nunc o aqui e agora) que indica a perda da aura da obra de arte. Não é necessário mais deslocar-se pra outro país para ver uma pintura de Picasso: a internet permite que o quadro chegue até nós. A obra fragmenta-se em sua reprodução.

Para Benjamim esta reprodução subtrai da riqueza da obra o espetáculo essencial de trazer novas ideias, instigar, incomodar, levantar questionamentos. Somos pouco exigentes, bastando apenas uma boa fotografia em seus pixels mantidos para nos aproximarmos, o próximo nos contenta e permite que o todo da obra seja revelado. A concepção de impressão desta ideia de impermanência que a modernidade nos causa, torna-se ao mesmo tempo uma impressão virtual, um pressuposto da real contemplação, porém torna a obra onipresente, sendo possível acessá-la de qualquer lugar, logo a obra esta em qualquer lugar, virtualmente falando.


Nesta obra há limitações de caráter estético, sobretudo elimina-se quando antagoniza dogmas religiosos e morais. .A obra dita por si só, o seu processo de composição social e crítica, mas se julgarmos com acuidade, torna-se fácil perceber uma grandiosa metáfora ideológica. Sobretudo o ''pseudoparaíso'' num país de predominação religiosa islâmica e judaica, conservadores de outra amplitude artística poderiam interpretar como algo pós-vida. A ignorância de qualquer consideração moral, relativamente aos conflitos étnicos em torno desta terra, nunca deixou de ser admissível.
É necessário que uma minoria bastante sensível possa fazer juízo, através desta moralidade de vigilância e consciência e inconsciência coletiva de repressão. Seria necessário que se dispusesse de alternativas entre as quais escolherem julgar. Paradoxalmente dispõem informalmente de liberdade de escolher, pois o condicionamento que encontram no momento faz da escolha um ato sem liberdade.
Em meio as contradições naturais da obra, não nega-se que é convidativa a uma meditação sobre o real. Já que constrói uma relação entre o aqui e o além do muro.

quarta-feira, 9 de março de 2016

A volta do Sapato Velho com Chico Science

Oi, gente!!! Olha eu aqui depois de quase dois anos. Eu sei que ninguém sentiu minha falta, até porque não tem ninguém por aqui...

Criei esse blog com tanto carinho, idealizei tantas coisas interessantes pra postar e acabei deixando passar em branco. Mas, agora eu prometo pra mim que vou movimentar isso aqui e espero ter alguns leitores (apesar de gostar de falar sozinha) faço isso desde criança  quando apresentava meus programas de auditório no espelho, hahaha.

Vamos lá, hoje eu vou falar um pouco sobre um cara que admiro muito. Um cara que revolucionou o cenário musical do Recife, em 1991 até os dias atuais com sua mistura de elementos da cultura pernambucana como o maracatu rural, com a cultura pop, em especial o rock’n holl e o hip hop. Um dos idealizadores do movimento manguebeat e, até hoje, um grande ícone que mostrou para o mundo que o mangue é vida! Já sabem de quem estou falando? (claro que sabem, a foto tá bem aí embaixo) É ele mesmo, é Chico Science. Eu sei que a maioria das pessoas já ouviram falar sobre ele e que basta colocar o nome Chico Science ou Manguebeat no nosso querido google e não é difícil encontrar informações sobre esse grande artista.

                                                           Foto: Google imagens 

Mas, o que eu quero é contar pra vocês que bem aqui em Recife, pertinho da gente tem um memorial massa dedicado ao nosso querido Chico que foi inaugurado em 2009. Ele é administrado pela Fundação de Cultura Cidade do Recife e faz parte do complexo turístico de Recife e Olinda.

Eu confesso que só vim saber da existência do memorial em junho de 2015 (ano passado) e tive oportunidade de ir conhecer por esses dias. Fiquei encantada com o lugar. Logo no hall de entrada você se depara com fotografias que fazem uma linha do tempo, desde a infância com sua família, sua adolescência junto com seus amigos pelas ruas de Rio Doce, em Olinda, até sua fase adulta. Ainda na entrada encontramos quadros informativos que narram sua trajetória e seus maiores ídolos inspiradores. A segunda parte do espaço é denominada como incentivo a produção. É um lugarzinho bem aconchegante, onde rola oficinas culturais (no dia que eu fui não estava tendo oficinas).


                                                      Registro da minha visita ao memorial

E o terceiro – que pra mim é a melhor parte do memorial, é a biblioteca. Gente, a biblioteca é divina!!! Os livros são de autores que Chico admirava muito como Willian Gibson, Neil Gaiman, Jack Kerouac... e, claro, Josué de Castro, um cientista ícone pernambucano que teve uma grande influência nacional e internacional quando resolveu dedicar todo o seu talento para chamar atenção para o problema da fome e da miséria que existia (e ainda existe) no país. Josué foi maior inspiração de Science, já foi citado algumas vezes em suas canções e como ele mesmo dizia: “Tem que saber quem é Josué de Castro, rapaz”.

Então, pessoal, por hoje é só. Pra quem já conhecia o memorial e quiser deixar um comentário sobre a experiência ou me retificar em algo, fiquem a vontade. Pra quem não conhece o espaço e nem a história de Chico e seu legado fica a sugestão para se aprofundar no assunto e conhecer o memorial também. Super-recomendo.

Segue o cronograma de funcionamento:
MEMORIAL CHICO SCIENCE
Atendimento ao público
segunda à sexta, das 09 às 17h, entrada gratuita
Fone: (081) 3355.3158 | 3355.3159

Pátio de São Pedro, casa 21
Bairro de São José – Recife – PE
www.recife.pe.gov.br/chicoscience



Deixo vocês com um dos discos do Chico Science e Nação Zumbi, o meu preferido, por sinal.

                                                              Da Lama ao Caos - 1994
https://www.youtube.com/watch?v=3YjfBO0FszA